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Maria Bolacha

Maria Bolacha ou Bolacha Maria. Alcunha da adolescência que persisto em conservar.

Maria Bolacha

Maria Bolacha ou Bolacha Maria. Alcunha da adolescência que persisto em conservar.

Sobre Sal, Areia e Mar.

[Afinal, ia sempre buscar mais um. Havia sempre mais um. E não era peixe. Era gente.]

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Cresci a ver isto. Na primeira fila.

Nestes ares, nestas areias, neste mar. Neste oceano encantado que nos banha.
Fui banhista, sereia, repórter, turista em casa. Fui um vulto que se confundiu com o mar.

Aqui dei os primeiros mergulhos no mundo selvagem e apanhei as minhas primeiras ondas. Fiz longas caminhadas de quilómetros e quilómetros e dormi sestas profundas. Ao sol, à sombra, houve para todos os gostos.

Escalei as rochas e apanhei mexilhão. Passeei de comboio até ao fim da linha neste, outrora, imenso e extenso areal. Conheço lhe as marés. Conheço cada cheiro, cada brisa ou vento forte que sopre. Conheço os pores-do-sol intermináveis. Inconfundíveis, com o Bugio a assistir ao longe.

Cresci a ver o peixe ser pescado e a ver as gaivotas à espera, impacientemente, da sua quota parte do bolo. Cresci a assistir a toda esta arte que é tão nossa. A comer bolas de Berlim.

Cresci o suficiente para perceber que o meu pai, nadador salvador credenciado mas que apenas praticava por afinidade, queria realmente dizer-me, quando dizia:

- Ana, o pai já vem e não te pode levar. Por favor não saias daqui do chapéu!
[ele que me levava para todo o lado]

Afinal, ia sempre buscar mais um. Havia sempre mais um.
E não era peixe. Era gente.

Gente que não soube respeitar o poder imenso do mar e se atrevia.
Hoje sempre podem contar uma história. Daquelas com final feliz, porque alguém cumpriu o seu dever e mais um bocadinho. E ainda bem.
Doce e intenso cheiro a casa. Tão bom!