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Maria Bolacha

Maria Bolacha ou Bolacha Maria. Alcunha da adolescência que persisto em conservar.

Maria Bolacha

Maria Bolacha ou Bolacha Maria. Alcunha da adolescência que persisto em conservar.

Móss Grazina, já me chorem os olhes camande....

[quando lá chegou, deu com o bom do Grazina em cima da sua mulher. Conhecedor das coisas da bola e fiel adepto do 'olhanense' fez-lhe, de imediato, o reparo:- móss, grazina?...atão, amanhã, tens um jogo de responsabilidade e tás a fazer um desforço destes a esta hora???]

grazina caricatura.jpg

Que alegria imensa descobrir esta caricatura do meu avô, ao que consegui saber feita pelo ilustrador Adriano Baptista. Encontrei-a no blogue de António Boronha, (http://antonioboronha.blogspot.com/2007/03/filhos-dlho.html), um blogue que descobri quando andava a pesquisar coisas do meu avô, a Velha Rosaira, o Grazina do Olhanense, jogador de futebol até aos 45 anos e figura incontornável dos tempos primórdios do futebol em Portugal.

O autor do blogue não é um filho "d'Ólhão", é de Faro e teve a proeza de conseguir comover-me com um texto que publicou no dia 21 de Março de 2007, em que fala do meu grande herói: o meu Avô. Compara-lo a Cristiano Ronaldo em 2007 já parece absurdo, quanto mais agora. Mas creio que consegue passar a ideia. Na altura jogava se por amor, sim por amor, à camisola. Sem frescuras, sem mariquices, sem milhões, mas com muita classe, muita vontade e muito amor ao emblema que se carregava ao peito. O meu avô sempre trabalhou e jogou ao mesmo tempo. Nunca quis sair de Olhão, nem do Olhanense. Foi homenageado em vida pelo clube e pela Câmara Municipal de Olhão. Jogou até não poder mais. Até aos 45 anos. Sim, eu disse 45 anos e na primeira divisão. No entanto há quem afirme que podia ter jogado mais, mas que estava farto de ouvir: "lá vem o pai e com os seus filhos".

O meu avô foi um guerreiro incansável, um futebolista à moda antiga que jogava por amor ao futebol.

O texto, passo a transcrever:

"A propósito de manifestas preocupações sobre as consequências do esforço a que terá sido submetido Cristiano Ronaldo na filmagem de um anúncio para um patrocinador da selecção nacional, não resisto a contar a história, que sempre correu como verídica, passada com o famoso jogador-pescador, Manuel Grazina ao serviço do Olhanense, no início dos anos quarenta: um sábado, quando ia para a faina da pesca, tendo-se levantado um enorme temporal a que no sotavento algarvio se chama 'sueste', um pescador da terra viu-se obrigado a regressar mais cedo a casa. Quando lá chegou, deu com o bom do Grazina em cima da sua mulher. Conhecedor das coisas da bola e fiel adepto do 'olhanense' fez-lhe, de imediato, o reparo:- móss, Grazina?...atão, amanhã, tens um jogo de responsabilidade e tás a fazer um desforço destes a esta hora???... Já não há filhos de olhão com esta dedicação ao clube. Porque, se os houvesse, há muito que o histórico emblema estaria na primeira liga..."

Subir até subiu, 39 anos depois, mas depressa, desceu de novo.

Móss Grazina, as tais mariquices camande.

[és a minha estrela mais cintilante]