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Maria Bolacha

Maria Bolacha ou Bolacha Maria. Alcunha da adolescência que persisto em conservar.

Maria Bolacha

Maria Bolacha ou Bolacha Maria. Alcunha da adolescência que persisto em conservar.

Mergulhos no Tejo, quem já deu?

[Curioso como a vida é feita de pequenos pormenores! Pequenos momentos, toques, cheiros, palavras.]

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O "croissant" torrado com manteiga e a meia de leite que bebia no café "Brito" no Pragal com 16 anos, o som da minha avó a descascar favas e batatas na minha infância, enquanto a ajudava a fazer a minha sobremesa favorita. O cheiro único da casa da minha tia Mila e do meu tio Manel, onde passava alguns dias das férias de Verão com os meus primos! As ervilhas que eu fingia gostar e que sorrateiramente guardava no bolso para depois mandar fora! As bombocas de morango com que nos deliciávamos nas tardes passadas a andar de bicicleta na rua. As vezes que nos fechávamos dentro da tenda e fingíamos estar a dormir, só para não nos expulsarem da festa, porque queríamos ficar lá até segunda-feira. (sim, porque não há festa como aquela). Os valentes mergulhos do pontão, os passeios no barco do meu pai e as braçadas Tejo afora nas tardes de Verão de Agosto, que pareciam não ter fim.


A vida é feita de memórias e as memórias, feitas de pormenores que fazem toda a diferença. Enquanto os vivemos não pensamos muito neles, mas eles ficam eternizados em nós.
A casa da minha tia Mila e do tio Manel, o lar, onde o meu pai cresceu, por ter ficado órfão, não podia ficar vazia. Não podia. Mesmo que com as obras mude o cheiro, porque vai mudar, mesmo que os meus tios já tenham partido há uns meses e não voltem. As memórias estarão sempre escritas naquelas paredes, no vau de escada, na varanda de onde se vê o rio, aquele rio tão nosso, com Belém ao fundo.

Fui tão feliz aqui!!! Tão feliz ali!

Deixei a casa mágica uns anos depois de escrever este texto e a verdade é que ainda hoje sinto que falta um pouco de mim. Estou longe da essência catraia, de quem cresceu aos mergulhos e fez do Tejo a sua rua.

Um dia destes faço como os miúdos. Aliás, eu já fui um dos miúdos da fotografia. Quando foi o meu tempo de o ser. Sei o que se sente. Não desperdicei o momento. Posso dizer: "Been there, seen that".