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Maria Bolacha

Maria Bolacha ou Bolacha Maria. Alcunha da adolescência que persisto em conservar.

Maria Bolacha

Maria Bolacha ou Bolacha Maria. Alcunha da adolescência que persisto em conservar.

A carta que nunca te escrevi!

[Talvez um dia volte a Barcelona. Sei lá. Talvez.]

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 Por esta altura, já deves ter fugido para terras de Espanha. Mais precisamente Barcelona, tentando fazer com que a distância seja, mais uma vez, tua aliada. Ou não. Mas talvez fosse o melhor a fazer. Assim torna-se mais fácil, vais ver que sim.

Barcelona é a cidade que não dorme, a cidade onde uma "solidão acompanhada" persegue-nos para onde quer que vamos. E eu, tenho a certeza de que no meio de tantos caminhos, irás descobrir o teu.
Já eu, continuo a frequentar os mesmos lugares, a passar nas mesmas ruas e esquinas da minha "velha" e "cúmplice" cidade, aquela onde sempre vivi e que guarda todos os meus desejos e segredos.
Talvez sejam as raízes a limitarem-me o horizonte e a tornarem os meus voos curtos de forma a conseguir sempre regressar. Talvez as minhas asas sejam de papel. Frágeis. Talvez tenha medo de deixar que a maré me leve para onde ela quer que eu vá. Eu que sempre aprendi a nadar contra a corrente, não gosto de deixar me levar.


Não faço como tu que nadaste ao sabor da corrente, de forma a apressares o percurso e chegares mais depressa ao destino. (será que era o ponto de chegada ou ainda te atrasaste mais?)
Prefiro ir deslizando, lentamente, aproveitando cada momento e cada etapa do percurso e com eles aprender algo de novo que faça-me sentir que evoluí, que cresci um pouco mais como ser humano. E isso é muito importante também.
Não sei se a pressa te dá tempo de olhares em volta e pensares nisso.

Eu quero atitudes e tu não gostas de correr.

Talvez um dia, me canse e fique simplesmente a boiar, a ver onde a maré me leva.

Talvez um dia volte a Barcelona. Sei lá. Talvez.