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Maria Bolacha

Maria Bolacha ou Bolacha Maria. Alcunha da adolescência que persisto em conservar.

Maria Bolacha

Maria Bolacha ou Bolacha Maria. Alcunha da adolescência que persisto em conservar.

Mais amor, por favor!

- Vocês são amigos?

- Sim, somos.

- Parecem namorados.

- Somos também.

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E pronto, para mim, o amor é isto. Sem cadeados, alianças, cobranças, mentiras, ocultações, dúvidas ou mesmo papeis assinados. Não precisa ser anunciado ou "gritado". Mas é transparente como a água e claro como o raio de sol. Para os mais atentos vê se à distância. Para os outros, os outros são os outros, não interessam.

Que o amor seja a melhor forma de começar e de terminar o nosso dia.

Todos os dias!

Maria Bolacha

 

 

 

 

Pelo Tejo, vai se para o mundo!

[Não há dia que não abrace o rio Tejo. Como se fosse parte da minha essência, parte de mim. E quem está ao pé dele, não pensa em nada, está só ao pé dele.]

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O Tejo tem Lisboa. Almada, tem os dois. Como se as duas margens namorassem um só amor.

Se o Tejo fosse um homem, Lisboa seria a esposa oficial e Almada sua amante. Daquelas que se tem uma vida inteira sem ninguém saber. Cúmplice calada do seu sucesso e sempre pronta a envolve-lo com as suas margens selvagens e deslumbrantes.

São várias as histórias do "Tejo". Travessias paginadas em tantas vidas que estas águas cruzam. Bonitas histórias de amor, de desencontros e encontros, de rotinas e de coisas simplesmente passageiras.

Este rio que foi a minha rua. Onde passeei vezes sem conta pelas margens. Onde vi as maiores luas cheias de que tenho memória. Onde mergulhámos exaustivamente do pontão. Onde boiámos debaixo da ponte e por sorte não levamos com nada em cima.

E nadei, nadámos tanto nestas águas onde também, agora, nadam os golfinhos.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo, como diz Fernando Pessoa.

"O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia. Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia. Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia. (...) O rio da minha aldeia não faz pensar em nada. Quem está ao pé dele está só ao pé dele." 

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Terei sempre uma dívida para com as águas do rio da minha "aldeia". Fiel companheiro das noites aluadas e quentes de verão. Cúmplice supremo dos meus pensamentos. Como uma espécie de sombra que não se vê mas que nos acompanha. Abraça. As suas águas guardam segredos únicos. Refletem os silêncios da nossa alma. Os nossos desejos mais escondidos. Os momentos mais felizes e marcantes.

Não há dia que não abrace o rio Tejo. Como se fosse parte da minha essência, parte de mim.

E quem está ao pé dele, não pensa em nada, está só ao pé dele.

 




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Alma...dense(a) dreamer!

[São tempos difíceis para os sonhadores.]

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Sim, é verdade, dizíamos que os anos iam passar, mas que o Peter Murphy, ia sempre estar de cabeça para baixo e "cu" espetado na cama do "Deep". E nós sempre ansiosas por ouvir "a strange kind of love", algo que Freud, quanto a nós, não explicava. Num lugar onde estarão sempre os nossos desejos ausentes e imaculados. Onde habitará sempre a nossa perfeita adolescência e tudo o que ela simboliza.

O Peter Murphy continua lá, sem o David, mas continua. Simbiose perfeita dos anos 90. Um tempo em que ríamos por nada e chorávamos por tudo. Hoje, já não há Ziggy Stardust que nos valha. Nem livro em branco que não esteja rabiscado, com palavras soltas mas com ideias precisas.

Os "verdes" anos passaram. Com eles, perdemos sonhos pelo caminho, ganhámos batalhas, perdemos algumas também. Seguimos caminhos fáceis que não nos levaram a lado nenhum. Outros, porém, difíceis mas que no final, valeram bem a pena.

E depois ainda havia a “nossa” Lua, aquela que é sempre mais bonita vista do miradouro do Castelo. Não há Lua como aquela. Não há luz, nem brilho, nem reflexo.

Já não vinha “aqui” há 7 ou 8 anos. Ao topo do mundo. [como costumo chamar]. No cimo do reservatório de água do Raposo, na Caparica. Uma espécie de “Cristo Rei” sem religião, mas que permite fotografar a cidade, com o seu monumento. [permite a quem esteja autorizado, claro]

Ao olhar a cidade, lembrei-me que da última vez que aqui estive, tinha a lua como companhia e era final de tarde. Estava frio. Pensei no Peter Murphy e recordei a nossa Lua do Miradouro do Castelo, que tanto nos fascinava e fascina.

Mas queria confessar te um segredo, minha querida Catarina B. Companheira de luas cheias e de tantas outras coisas, tantas, que dariam quase um livro de aventuras e de estórias encantadas de princesas sem coroa. E muito, mas muito apaixonadas.

 A nossa lua será sempre a mais bela. Sempre. Mas um dia, hei-de conseguir que a venhas ver comigo, daqui do “topo do mundo”. Um dia que esteja bem cheia, dourada e redondinha, ao cair da tarde e a “emparelhar” com o nosso Cristo e com o recorte de Almada de fundo. Consegues imaginar?

Enquanto não vamos, temos sempre a nossa lua, que desenrola o seu meigo manto de prata e que nos ilude com perspectivas sobre a nudez da terra que habitamos. A luz amortece no mesmo instante em que o tempo corre. Ela queria ser o sonho que alguém sonhasse.

São tempos difíceis para os sonhadores…

 

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